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Médicos cubanos ficarão mais 3 meses em Goiás 24/07/2016

Juvenal Rodrigues, de 65 anos, não se esquece das datas em que a esposa sofreu acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Foram três: “Dias 8 de março, 13 de agosto de 2014 e dia 9 de setembro de 2015. Marcou na memória”, conta. Não menos marcante para o aposentado, nesse período, foi a ajuda de um médico que virou amigo. Desde 2013, o cubano Luis Goicolea Valdés acompanha de perto a saúde do casal de idosos. Ele, no entanto, como muitos de seus compatriotas que vieram trabalhar no Brasil pelo Programa Mais Médicos, deve retornar para Cuba em breve, por causa do término do contrato. “Vai me deixar saudade”, afirma Juvenal.

Após três anos, o programa chega ao fim de sua primeira fase contratual, em agosto, significando, entre outras coisas, o fim de relações como a de Juvenal, a esposa Francisca Lira e Silva e o médico cubano. E relações, a princípio, controversas, que levantaram questionamentos quanto a real capacidade dos profissionais estrangeiros e sobre como eles iriam se adaptar à língua e à realidade brasileiras, tornando-se compreendidos pelos pacientes. A maioria, crianças, gestantes e idosos que vivem em locais distantes, de difícil acesso, bairros periféricos, carentes e afastados dos centros das cidades.

Luis Goicolea é um dos 13 cubanos que atendem em Aparecida de Goiânia e um dos 293 que hoje trabalham em Goiás (44,5% do total de médicos do programa no Estado). A esposa dele também integra este grupo e deve deixar o Brasil até o final deste ano. Avesso a aparições, ele conversou com O POPULAR por telefone e disse ter sido uma experiência muito boa e que, apesar da saudade que irá sentir dos amigos, é preciso deixar que outros médicos participem do programa. “No início, teve a dificuldade da língua, eu falava um pouco enrolado, mas as enfermeiras me ajudaram muito”, conta. Juvenal, por exemplo, diz não ter tido problema para entender as recomendações.⁠⁠⁠⁠

Internações caíram 12%

Levantamento feito pela Estratégia da Saúde da Família em Aparecida de Goiânia mostrou que, nos dois primeiros anos do programa Mais Médicos (2013 a 2015), houve uma redução de 12% do número de internações por condições sensíveis à atenção básica. A coordenadora Érika Rocha inclui nesses casos, por exemplo, internações por pneumonia e diarreia. O indicador é interessante, segundo ela, porque, além de atestar a eficácia da presença e atuação das equipes de saúde, acaba refletindo na redução dos gastos com internações.

Por consequência, já que houve um aumento de médicos no município, ocorreu também um aumento das consultas. Antes do programa, o déficit de profissionais nas equipes era de 50%, em Aparecida. “Zeramos isso”, conta Érika. No dia 15, mais dois médicos intercambistas vão se apresentar para trabalhar na cidade.⁠⁠⁠⁠

Para Simego, há série de incoerências

Apesar de não ser contra o programa Mais Médicos, o Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego) não deixa de pontuar incoerências que se mostraram evidentes desde que ele foi iniciado. O presidente do sindicato, Rafael Cardoso Martinez, acredita que a saída dos profissionais em fim de contrato, especialmente os cubanos, não impactará a saúde do Estado, porque a maioria está em locais de fácil reposição. “A ideia era que eles fossem para onde não tinham profissionais, o que não é verdade, porque existem médicos do programa nas capitais, em Goiânia, Aparecida de Goiânia, São Paulo, Porto Alegre, enquanto existem cidades do interior que continuam sem”, aponta.

Outra questão que, para Rafael, demonstra que a propaganda não condiz com a realidade é que, ao final do prazo de três anos, era previsto que o País estivesse pronto para não precisar mais da mão de obra externa. Medida provisória editada durante o governo de Dilma Rousseff (PT) renovou o programa por pelo menos mais três anos. “No último chamamento, reduziu muito. A estatística que a gente tem é que cerca de 60% dos médicos brasileiros inscritos não foram chamados”, conta. Hoje, o total de médicos cubanos é de 11,4 mil, equivalente a 62% de todos os que trabalham pelo programa.⁠⁠⁠⁠

Fonte: O popular

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